Para um bom amador, retribuição basta

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A escassez de autenticidade nos relacionamentos quase produz em nós um egoísmo vicioso. Veja bem! Ser autêntico numa relação (de amor ou amizade) é sinônimo de rasgar o peito e mostrar ao outro a nossa vulnerabilidade. Claro que isso implica em um pouco de confiança, vez que nem todo mundo tem a intenção de amar as nossas fraquezas. Por isso, quase sempre, nos escondemos atrás de máscaras a fim de tapar quem realmente somos. Em uma linguagem futebolística, tentamos tapar os buracos da zaga com centroavantes. E, como se não bastasse, pessoas passam por nossas vidas, os amores mudam, e ainda assim continuamos agindo com o mesmo receio de nos entregar, de amar, de retribuir.

Uma pena. Muitas vezes, a gente perde a oportunidade de viver um amor super bacana porque não sabemos e não conseguimos nos entregar como convém. Outro fator que interfere nisso é a bagagem de decepções que carregamos por onde vamos, onde pousamos. Mas não é porque um amor deu errado que outros não poderão obter sucesso. Não é porque todos dizem o contrário que precisamos acreditar. Há, sim, em torno desse dilema, uma atmosfera de grandes desafios, mas a gente sabe que o que nos instiga a viver é desafiar a si mesmo. E tenho certa desconfiança de amores que não nos impulsionam a arriscar a nossa zona de conforto, ainda que isso nos cause medo.

Prêmio para o autor que transformou muitas cucas por aí, quando ensinou com o célebre conselho: “ao menor sinal de amor, retribua”. Vale para a relação com o pai, com a mãe, com o irmão, com o vizinho, com o colega de trabalho e, claro, com os amores. Tentaram enfiar na nossa cabeça que o amor é evidenciado em grandes atos e provas, mas se esqueceram de que o amor decorrente de gente como eu e você tem a oportunidade de ser mostrado em pequenas atitudes do cotidiano. Um “bom dia”, um “gosto de você”, um beijo com sentimento, um favor oferecido sem a gente pedir antes, uma gentileza, uma tentativa de fazer o outro sorrir em uma ocasião simples, e por aí vai. E retribuir a isso é a coisa mais fácil que inventaram nessa vida, a gente que gosta de complicar.

Como eu já disse e gosto de repetir, o amor é muito simples. Se o outro gostar de você, isso será claro. Você saberá pela ligação antes de dormir, pela preocupação com a sua ida ao médico nada habitual, pela visita inesperada ou pelo “como vai você?” por mensagem. O que a gente deve fazer então é limpar o nosso histórico, vestir de coragem os nossos corações e, simplesmente, ser grato. E agradecer exige ação, exige troca e reciprocidade. Não basta apenas marcar o gol e comemorar sozinho. O luxo mesmo é partir para o abraço de quem fez o passe. Até porque ninguém joga sozinho.

 

Nataly Maier
Estudante de Jornalismo e apaixonada por palavras. Encontra na escrita sua melhor forma de comunicação e uma oportunidade para transformar o mundo em sua volta.