Pra viver a dois é preciso aprender a viver só

Fui convidada pelos queridos amigos e fotógrafos Bebel e Wadson para compartilhar do tópico “Vida a Dois” aqui com vocês. Confesso que a princípio fiquei meio receosa. Tenho pouco tempo de caminhada na vida de casada, acabamos de completar dois anos de casados agora em Agosto 2014. Sinto que eu estou engatinhando no aprendizado de vida a dois. Acho que eu sei mais de vida de solteira do que de casada. Vivi a maior parte da minha vida solteira, mas vejo que todo o difícil aprendizado de viver só contribuiu muito para que hoje eu tenha uma vida conjugal saudável e equilibrada. Digo “só” no sentido de solteira, porque Deus me presenteou com uma família maravilhosa e com bons amigos para compartilhar a vida. Hoje tenho a certeza que se o casamento tivesse entrado na minha vida até dois anos antes de eu me casar, não sei se estaria vivendo um casamento tão bom como agora. Tudo tem o seu tempo. E o tempo de solitude me ensinou algumas lições importantes. E aqui eu compartilho com vocês algumas delas:

É preciso livrar-se da ansiedade de querer casar. Aqui digo ansiedade, e não desejo. A ansiedade é patológica. O desejo é saudável. Algumas pessoas podem entrar no casamento achando que o cônjuge irá suprir os seus anseios mais profundos do coração. Isso não é possível. Essa ânsia de ser feliz com outra pessoa precisa acabar antes que a gente encontre o nosso cônjuge. No processo do tratamento de um câncer, eu experimentei radicalmente que quem preenche por completo os anseios de nossa alma é o Criador dela. Ninguém pode satisfazer o anseio do coração que somente Deus pode preencher. E foi importante aprender isso antes de encontrar o grande amor da minha vida.

É preciso parar de querer que o outro te faça feliz. Eu acredito que somos naturalmente seres egocêntricos. Queremos uma felicidade que alimente o nosso ego. Quando você casa, descobre que isso também não é possível. A felicidade é um estado de alma e se completa muito mais quando você serve alguém do que quando você é servido. Por isso vejo que é plenamente possível ser feliz solteira. Consegui arduamente aprender que outra pessoa não tem a obrigação de me fazer feliz. Essa pessoa pode sim contribuir para a minha felicidade. Mas, precisamos aprender a ser felizes primeiro. Deus nos fez seres completos e com a capacidade de ser feliz em qualquer fase da vida.

É preciso estar pronto para se doar. Quando ainda estamos solteiros, é difícil imaginar o quanto a vida a dois é uma vida de entrega e doação. É muito comum o sentimento romântico de casado prevalecer e com isso esquecemos da parte da entrega, do compromisso diário com a vida do outro, do cuidado diário na construção de um lar. Veja que ainda não temos filhos. Mas, acredito que quando os filhos vierem exigirá de nós uma dose ainda maior de amor e entrega. E à medida que você ama mais, você se torna muito mais preparado para receber o amor de alguém.

Essas são algumas das lições que ressoam bem profundo no meu coração. Mas, como disse, ainda estamos engatinhando na nossa vida a dois. Aprendemos diariamente com essa riqueza de intimidade, compromisso, respeito e cumplicidade. E tem uma coisa que a gente já aprendeu até aqui. O nosso amor cresce a cada dia. Às vezes você imagina que não tem como o amor pelo seu cônjuge aumentar mais. Mas, ele aumenta e se fortalece à medida que caminhamos juntos com o mesmo propósito. Meu marido costuma dizer que o casamento aproxima a gente de Deus. Como? Ah, isso já é assunto para um próximo post. 🙂

 

 

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Andresa Marinho Buzelli
Andresa casou-se com Carlos em Agosto de 2012. Logo após o casamento, eles foram viver os desafios e as alegrias da vida a dois lá em Toronto no Canadá, onde Andresa faz seu doutorado. Andresa e Carlos estão engatinhando na vida a dois e decidiram compartilhar seus primeiros passos aqui com a gente.
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