Sobre se apaixonar

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O cérebro apaixonado é sinônimo de demência nas atitudes. Isso porque a paixão é uma espécie de estado hipermotivacional e funciona exatamente como uma droga ou o álcool em demasia. Assim como uma pessoa alcoolizada ganha estímulo para brigar, mandar uma mensagem pelo whatsapp pouco conveniente para o ex ou beijar alguém de qualidade estética duvidosa na balada, a paixão serve como uma força para atitudes parecidas. E o seu tempo de duração, segundo pesquisas, pode ser de 12 a 18 meses.

Quem nunca se apaixonou que atire a primeira pedra. Se for o seu caso, não atire ainda, porque você pode se apaixonar a qualquer momento. Toda linda história de amor começa com paixão. E, ainda assim, muitas pessoas olham para ela com olhos de desprezo, como se a paixão fosse responsável pela dor do coração partido, pela agonia da espera da mensagem ou ligação que nunca chegam, pela saudade da madrugada e por aí vai. Mas, por outro lado, vale lembrar que a sensação de estar em êxtase, de uma felicidade plena e uma disposição sem fim é sem igual.

Que ficamos num estado de demência é a mais pura verdade. Mas como tudo nessa vida passa, com a paixão não seria diferente. É aí que entra outra fase super importante para o relacionamento: o amor. Acredite, tudo isso é processado pelo cérebro com a ajuda de neurotransmissores e hormônios importantíssimos responsáveis pelo misto de sensações que sentimos quando estamos com alguém especial. Essa nova fase exige de nós o que qualquer progresso do dia a dia requer. Da mesma forma que a promoção de um cargo pede um pouco mais de determinação e dedicação, o amor para se manter aceso precisa de empenho. E não se trata de surpresas a cada quatro meses, presente em datas comemorativas, etc. O que eu quero dizer é que o amor se sustenta em pequenas atitudes especiais no cotidiano de alguém.

Outra coisa: Sabe como a gente percebe que está apaixonado? Com certeza, não é quando alguém entrega a chave de um carro 0km nas nossas mãos ou um buquê lindo com um bilhete de presente. A gente percebe que está apaixonado é quando para pra pensar nos pequenos gestos que a pessoa tem feito em nosso favor, na vontade de nos ver sorrir, nas mensagens carinhosas, nos favores imerecidos e por aí vai. Uma continuidade de fatos que despertam em nós a sensação incrível de, repentinamente, estar apaixonado por alguém.

Bom seria se parassem de entender a paixão como uma ruptura de normalidade, um causador das desgraças do coração. Até porque a gente gosta, sim, de sentir demasiado, de uma total felicidade, de amar incondicionalmente. Não é à toa que muitas pessoas emendam um relacionamento em outro, para nunca perderem a empolgação de se encantar por alguém. Claro que não estou dizendo que a solução é estar com alguém, mas estudos apontam que os que se entregam ao amor são muito mais felizes e vivem mais. E, na boa, se fosse pra escolher um estado de espírito para viver, mil vezes eu escolheria me apaixonar.

 

 

 

Nataly Maier
Estudante de Jornalismo e apaixonada por palavras. Encontra na escrita sua melhor forma de comunicação e uma oportunidade para transformar o mundo em sua volta.